Toi et Moi, e o Eremita


 Uma música maravilhosa, composta por I. Krutoy e letra de L. Vinogradova, cantada pelo magnifico D. Hvorostovsky, pode ser apreciada no vídeo abaixo, que nos dá a oportunidade de muitas reflexões. Uma verdadeira arte! Como arte, comove, causa espanto e admiração.
O canto inquieto para traçar o fim de uma história. Explana, na asfixia de viver uma situação em que se tenta salvar o que já não é mais possível. Os medos que temos de nos revelar e nos entregar, e então começamos a nos defender... E nos defendendo, acabamos por machucar o outro. Escutamos nossos próprios conselhos viciados em nos salvaguardar, usando o velho discurso de que nos anulamos muito em momentos passados; agora não mais! Não mais suprimir a existência como quer que a queiramos vivê-la. Todavia, ao decidirmos colocar uma placa em frente ao peito com a mensagem “ Não vou me anular”, acabamos por anular o outro, tornando-o um elemento que pode ficar de sobreaviso, na esperança de um convite para depois do trabalho, depois da ocupação, depois da semana, depois da viagem, depois da chuva, depois do plano A, depois de qualquer coisa ou situação em que há maior prioridade e preferência. E o outro, que no início lamenta, começa a se acostumar com a ausência da vivência que era seu projeto primeiro, e inicia a rasura de sua própria vontade.

Incompreensível sistema inconsciente que resulta fracassos amorosos, onde tentar alcançar o que se ama, se encontra o risco de se distanciar de si mesmo.
O eremita - Carta do Arcano IX no Tarot

Assim, às vezes se faz necessário pausar o caminho, tal qual o eremita, para depois regressar ou avançar até o que nos faz feliz.. pois cada um traz uma cicatriz no peito... Mas cada um também traz sonhos no coração... Cada um, à procura do amor profundo...
 Toi et Moi...


Diva de Montalbán

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