A expectativa e a realidade


Estar nesse tempo presente em que me encontro, todavia estacionada a meio fio de um passado que conheço no pensamento, vivencio situações que me remetem a algo comparativo do que vivi antes... algo que eu faço conexão, para ligar minhas experiências vividas, meus sonhos modificados, minhas angústias não partilhadas, minhas páginas em braile...
 Me lembrei da primeira decepção que tive . Eu tinha oito anos, ou menos até, porém a pouca idade não importa, quando o que nos faz abaixar os olhos, mover os lábios cerrados para um lado em sinal de contrariedade, e nos lastimar por não entender  a razão pela qual as coisas não são como imaginávamos , é comum do ser humano.
Meu pai ,um dia acompanhado de mim,  entrou em uma loja de automóveis. Eu não vi os carros. Eu vi os ursos enormes que estavam dispostos em cima dos carros com o objetivo de chamar atenção dos compradores. Obvio que chamaria ainda mais  atenção de um criança. E, passeando pelos corredores estreitos entre um carro e outro, olhava para cima, cobiçando cores de pelúcia, botões que formavam olhos carinhosos que olhavam para mim,  sorrisos em arcos de pi radianos costurados em caras redondas de ursos e coelhos, e os braços peludos abertos, prontos para receber meu abraço.  Assim ,elegi  o urso que gostaria que fosse comigo para casa. Falei para meu pai que comprasse o carro cujo urso se encontrava.
Eis Minha primeira decepção: saber que os ursos não seriam vendidos com os automóveis. Continuariam lá, tomando vento, chuva, sol, poeira.. sempre felizes, cobertos por um varal, acima de suas cabeças, cheios de bandeirinhas e papeis brilhantes.
Enfim, a descoberta de uma sensação do que traz um descoforto e uma emoção sentida que se aproxima do reconhecimento de que a imperfeição humana existe, e temos que aprender a lidar com ela.
Um novo dia anunciar e "aunque los sueños se me rompan en pedazos... resistiré..."


Diva de Montalbán

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