segunda-feira, 29 de abril de 2013

A expectativa e a realidade


Estar nesse tempo presente em que me encontro, todavia estacionada a meio fio de um passado que conheço no pensamento, vivencio situações que me remetem a algo comparativo do que vivi antes... algo que eu faço conexão, para ligar minhas experiências vividas, meus sonhos modificados, minhas angústias não partilhadas, minhas páginas em braile...
 Me lembrei da primeira decepção que tive . Eu tinha oito anos, ou menos até, porém a pouca idade não importa, quando o que nos faz abaixar os olhos, mover os lábios cerrados para um lado em sinal de contrariedade, e nos lastimar por não entender  a razão pela qual as coisas não são como imaginávamos , é comum do ser humano.
Meu pai ,um dia acompanhado de mim,  entrou em uma loja de automóveis. Eu não vi os carros. Eu vi os ursos enormes que estavam dispostos em cima dos carros com o objetivo de chamar atenção dos compradores. Obvio que chamaria ainda mais  atenção de um criança. E, passeando pelos corredores estreitos entre um carro e outro, olhava para cima, cobiçando cores de pelúcia, botões que formavam olhos carinhosos que olhavam para mim,  sorrisos em arcos de pi radianos costurados em caras redondas de ursos e coelhos, e os braços peludos abertos, prontos para receber meu abraço.  Assim ,elegi  o urso que gostaria que fosse comigo para casa. Falei para meu pai que comprasse o carro cujo urso se encontrava.
Eis Minha primeira decepção: saber que os ursos não seriam vendidos com os automóveis. Continuariam lá, tomando vento, chuva, sol, poeira.. sempre felizes, cobertos por um varal, acima de suas cabeças, cheios de bandeirinhas e papeis brilhantes.
Enfim, a descoberta de uma sensação do que traz um descoforto e uma emoção sentida que se aproxima do reconhecimento de que a imperfeição humana existe, e temos que aprender a lidar com ela.
Um novo dia anunciar e "aunque los sueños se me rompan en pedazos... resistiré..."


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O teu som

Não sei como essa música surgiu repentinamente em meu mundo, e com ela o ritmo que embala meus pensamentos.
Rádios ligados executam milhares de músicas ao meu redor , mas eu me delisgo daqueles sons e só escuto o teu.
Deitada na canção como Rita Hayworth
E foi nessa composição melódica que reconheci a linguagem com que me cantas...e essa canção traz nova aparências para tudo, alterando as cores,  os dias,  os livros, os brinquedos, as teclas, as letras, as imagens ... as viagens...

************

Diva na onda de cantar "no youtube" -aqui o meu vídeo doméstico o/.. p quem eu gosto mais :*
Só falta aprender a gravar o karaokê :D 
Besos 



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Só quem vive, para entender

Os passos no caminho...
Alterando não só uma pessoa, mas a aparência de tudo que ela vê...
A bordo, vinha sua solidão e seu fiel guardião.

Seguiam, seguiam... O oceano em frente, e no caminho trilhado, os castelos na areia...
Condenado ou absolvido?
Não importa...
Um dia, uma harpa me contou que, se não tivermos uma casa para voltar, e um cachorro a nos esperar, não temos nada.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

A Estrela da Índia existe.


Essa semana, recebi um e-mail  de Beto, meu leitor que também se identifica com causas que apoiam e respeitam animais.  Eu penso que, se muitos não conseguem amá-los, deveriam pelo menos respeitá-los, porque eles têm alma (minha opinião) e também o direito de estar aqui , como qualquer ser humano.
Muitos acreditam que animais são inferiores pela cultura de uma religião pregada há muito tempo. Porém eu tenho minha fé, e se ser cristão é amar o próximo ,temos que entender que os animais são nossos próximos também.. E o Beto também compartilha desse pensamento.  ^^
Beto e seu livro :)
Em seu e-mail, também me contou que esteve na Bienal Do Livro para o lançamento da Estrela Da Índia, e gostaria de ter me conhecido, porém quando esteve lá , eu já havia ido embora. :(
Agora ele me mandou uma foto do livro,conta para mim o que achou da história, e tem uma dúvida : 



Por que a safira se chama Estrela da Índia?

Estrela da Índia

 Entre muitos tipos de safiras, existe também a safira estrela que é denominada dessa forma por causa de sua característica.  Possui uma estrutura que ao refletir a luz , seu reflexo  toma formas de raios de estrela. Na gemologia esse efeito chama-se asterismo. 
E a estrela da índia é a maior safira estrela  já encontrada. Das gemas lapidadas, é a maior de todas ,pesando 536 quilates. Está exposta no Museu Americano de Historia Natural em Nova York.
Uma curiosidade é que, em 1964, essa safira foi roubada do Museu, e esse caso deu origem ao filme Murph the Surf ,de 1975.
A história real dessa safira serviu como inspiração para o livro A  Estrela da Índia, e eu assim, comecei a escrevê-la, colocando na pedra poderes mágicos. :)
 

Michella, também outra leitora minha, reclamou que não postei foto da Bienal aqui no blog, e quem não está no meu facebook não pode ver. Então aqui posto a foto da Bienal para Michella e o Beto.

E conto para vocês que hoje, escrevi mais um conto...

Posteriormente irei divulgar. Tenho que lapidá-lo  ;) 

Besos.. cuidem-se. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Um velho mapa

Nesta ilha solitária, coloquei ao meu redor  mil figuras.
Em tons azuis e amarelos...um abraço, um beijo , uma foto...a rotina e a surpresa...
Outras imagens surgem repentinamente aqui, me cercando e cantarolando uma canção com a voz baixa, dizendo que estou olhando para longe demais ... E olhando para longe demais, mais a solidão se aproxima.
Eu ouço e as vezes sorrio, por saber que jamais será possível aos que nasceram cativos e consequentemente cegados ,captar a extensão do mar que vejo. O mar que traz a liberdade... liberdade de ser quem sou, liberdade de ser como sou, liberdade de pensar o que tenho vontade, liberdade de trazer para perto  minhas mil figuras sem que elas me assombrem.

E aqui mesmo, nesta ilha solitária, para não temer as sombras que se escondem na escuridão, canto minhas cantigas de extintas partituras, guardadas num velho mapa de um tesouro.

Crepúsculo em San Giorgio Maggiore (Claude Monet)

O Mapa















E a cantiga


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cara de leão


Quando penso em minha infância, sempre um sorriso aberto surge em minha face.
Fui uma criança maravilhosamente feliz, livre e cheia de amigos.
Tinha os amigos para brincar nos dias de chuva dentro de casa, os amigos que podiam brincar na rua até tarde, tinha amigos que só podiam brincar em frente às suas casas, os amigos para andar de bicicleta até onde Judas perdeu as botas...Transitava entre todos eles e fazia a ponte para que alguns deles pudessem também ir e vir... Nem sempre se tem a sorte de trazer esses amigos de infância para a idade adulta. Em especial falarei aqui de uma amiga que representa 100% da minha infância feliz.
Cachorro-quente, sorvete escondido da mamãe, pipoca na sessão de cinema na sala assistindo O Homem Elefante, andar de mobylete e levar bronca da polícia, descer ladeira com bicicleta sem freio, pescaria na quermesse, andar atrás do boi-tatá, assinar procuração em branco...Ela começou a ser minha amiga quando eu tinha uns 4 anos, embora sempre me xingasse de cara de leão, e isso acabava em briga. Ficamos super amigas quando fiz 6 e fui acompanhá-la em uma missão secreta envolvendo peixes. Fomos crescendo e amizade foi se tornando absurdamente necessária para vivermos. Tornamos-nos cúmplices quando, depois de eu implorar e chorar muito, resolvemos que ela não contaria para mamãe que eu estava indo mal na escola.
Toda minha vida tive o presente de ter uma super amiga que também é minha irmã.
E minha irmã me conhece tão bem, sempre chega com surpresas maravilhosas para mim. Hoje foi um desses dias.
Nosso pai tinha uma gravata borboleta de cetim com presilhas , daquelas bem raras e antigas. Coisa fina, como dizíamos...  Esse objeto me causava fascínio quando criança e sempre eu via minha irmã abrir a gaveta dele e  retirar a tal gravata para brincar  de teatro com ela..
Certa vez, eu mesma apanhei essa gravata  e a coloquei em mim.. Fui garbosa brincar.. brincar de escalar um barranco no mato.  Penso eu, que escorreguei e a gravata se perdeu. Notei apenas em outra vez que fui  apanhar novamente a peça e ela não estava mais lá.
Meu pai sempre disse: – Sumiram com minha gravata! 
No meu canto ficava quietinha com medo de esboçar alguma expressão de culpa, e  por sua vez, minha irmã que não se lembrava também se foi ela a responsável pela perda do acessório, permanecia discreta...  
O tempo passou, a vida viveu e sempre em meio a risadas nós nunca soubemos quem realmente perdeu a gravata!
E essa semana , minha irmã me surpreendeu  -Olha o que eu trouxe para você!– disse ela retirando de sua bolsa um pequeno objeto dentro de um saquinho plástico.
Me presenteou com uma gravata idêntica àquela que papai tinha. Conseguiu a peça em uma bazar de antiguidades.
Quando coloquei as mãos na gravata, meus olhos se encheram de saudade...
Toda a minha infância feliz tinha passeado em meus pensamentos neste instante.
Dádiva é perceber que minha irmã está presente nas minhas melhores lembranças.
gravata borboleta de 1950





"Irmança", de tudo rindo ...tombo no bamba, chuva no barco viking, compras na lojinha, doces no Kakubo, topada na calçada, perder o carro  no  estacionamento do Extra, sapataria,  briga na casa da mãe, correr com o cachorro, fazer música no violão, rir do Evaristo Costa, almoço no baixinho, assistir filme de terror  ," na decida não posso parar", segredo no ouvido do coelhinho da páscoa, tocar o dia com o dedo, bater pêra na parede, "xabe lá no cowboy"... 
Para a  nossa infância, a gente volta todo dia  ;)

terça-feira, 31 de julho de 2012

A Estrela da Índia

Queridos amigos e leitores.

Ontem recebi o convite que a editora Scortecci fez para o lançamento do meu livro A Estrela Da Índia,  na bienal internacional do livro em SP que acontecerá no dia 18 de agosto. Publico aqui o convite, agradecendo sempre as palavras simpáticas e o carinho que me passam. A Estrela da Índia já tem uma página no facebook. Clique aqui e dê o seu "joinha" ;) na página do livro. 
Besos :*